quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da mulher

Hoje faz 102 anos que o primeiro dia internacional da mulher foi instituído. É bizarro observar que atualmente grande parte da massa internauta, em seus “posts”, hashtags, e toda essa coisa louca sem fim, publica apenas dicas de restaurantes, motéis, flores, enfim, tudo o que dinheiro pode comprar e o mercado pode ofertar.
Money, Money, Money! Cada vez mais, nossas relações criam raízes nessas notinhas capitais. É obvio que não quero aqui dizer que dinheiro é ruim (antes que um Zé Ruela venha falar). É a ausência do tema central desse dia que me refiro.
Esse trololó hodierno teve início no dia 8 de março de 1857 (onde os tempos eram outros. Quiçá muito mais valorosos), data histórica da verdadeira luta pela justa igualdade feminina em todos os setores sociais. Foram as heróicas senhoras operárias de uma fábrica de tecidos em New York, que fizeram com que hoje, você, princesa, fosse comer seu sushi ou sua costela naquele restaurante que você tanto queria ir, devido às “comemorações” desse dia tão importante. Essas senhoras, que foram brutalmente assassinadas, trancadas e queimadas em seu local de trabalho, apenas por lutarem por condições dignas de trabalho, por uma carga horária menos desumana de 10 horas de trabalho e não de 16 horas, como era.
Acontece que hoje, muita gente nem imagina o motivo desse dia. Hoje as pessoas só querem saber de olhar os cardápios, o preço das rosas e a qualidade da cama redonda e os riscos nos espelhos de teto.
Comemorem, festejem, façam tudo que lhes de prazer. Só não esqueçam o porque. Dia 8 de março é um dia de memórias, um dia de lutas, um dia de vitória!
Parabéns mulheres! Sem vocês, o Planeta não seria tão belo, não seria tão confuso, nem tão enigmático. Obrigado!

sábado, 24 de abril de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=51O__ElvKjU

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ontem o mau humor foi enfim louvado
um tal de cientista estudou o seu acaso
constatou que os carrancudos devem ser valorizados
disse que quem pensa quando down por todo sempre será lembrado




Dos pobres de espírito


Pobres coitados e sofredores

Que fazem de notas de excremento

A priori de suas almas nefastas

Sedentos pelo pouco

Carentes do muito

Errantes construtores

Ostentando seus arranha-céus desmatadores

Do suor de seus rostos

Compram seus pães,

Seus luxos e devaneios

E embebedam-se em frívolos prazeres

Supérfluos e inúteis!

Amantes sem causa!

Traidores de si mesmos!

Correm com seus carros

Perdem olhares

Fogem,

Somem,

Esquecem-se.

quinta-feira, 1 de abril de 2010


tenho saudade 

daquela idade de guri

sentado em baixo da pitangueira

olhando o dia passar

as horas não tinham pressa

e eu nada tinha a decidir


como era bom brincar de qualquer coisa

não fazer nada e depois descansar

andar na praça

tomar sorvete até estourar

morrer de medo do escuro

homem do saco e boitata


ah, mas que saudade!

agora é tarde para lamentar

quando criança sonhava ser grande

e agora eu quero voltar


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ontem

Parece que foi ontem que o vi. O velho rabugento bebia um vinho qualquer e esperava.
Seus ouvidos surdos não davam a atenção devida pelo que se passava.
Jazz, tzz, tzz, tzz, tzz.
Olhava, mas nada via.
Respirava, mas nada sentia.
Acendeu um cigarro.
Jazz, tzz, tzz, tzz, tzz.
O garçon cantava uns palpites falsos enquanto a banha de seu rosto escorria.
Jazz, tzz, tzz, tzz, tzz.
De repente, junto com vento, alguém chegou. Não era somente alguém, e ele sabia disso. Como o velho havia esperado por aquele momento!
Eu vi os abraços, as desculpas e os afetos do velho para com ela. Então, pedi a conta e nada mais quis saber.